Cena do filme Twister, onde Helen Hunt utiliza um transceptor
para comunicar-se com outros carros do combio.
Muitos de nós tem hobbies ou manias que adquirimos de forma
tão natural que mal sabemos explicar de onde surgiram.
Refletindo sobre isso, coloquei-me a pensar nas origens de
meus próprios hobbies e manias, chegando à conclusão de que não tenho
explicação para muitos deles.
No caso do radioamadorismo, cheguei a uma pequena série de
fatos que me influenciaram.
O gosto pela eletrônica sempre esteve presente e pode ser
facilmente confirmado pelo caminho no qual guiei minha carreira de técnico e
engenheiro eletrônico. Sem dúvida alguma, essa vocação teve sua parcela de
culpa na minha atração pela radioemissão, mas não posso dizer que foi decisiva.
Analisando mais profundamente minhas memórias, encontrei no
filme Twister a inegável origem da minha paixão pelo radioamadorismo. Estrelado
por Helen Hunt e Bill Paxton em 1996, o filme mostrava a rotina de caçadores de
tornados, que percorriam o território dos EUA em comboios e comunicando-se
constantemente através de rádios instalados em suas viaturas. Curiosamente
atribuo também a este filme uma outra paixão, os veículos 4x4!
Mas a materialização do hobby só veio a ocorrer dois anos
depois, por influência do meu ex-professor e grande amigo Luis Geraldo Tona, que
na ocasião era responsável pelo setor de comunicações da filial da Cruz
Vermelha Brasileira da minha cidade, Barra Mansa-RJ, onde eu prestava serviços
voluntários. O Tona sempre ia às nossas reuniões com seu Fuscão, onde havia um
belo Cobra 148GTL ligado a uma extensa antena “maria-mole”, que fazia o carro
parecer um carrinho de controle remoto. Ver esse rádio em funcionamento fez com
que eu decidisse embarcar de vez naquele universo e bastaram alguns meses para
que eu estivesse habilitado pela ANATEL para operar na Faixa do Cidadão através
do indicativo PX1K1805, que mantenho até hoje!
Naquela época fui convidado, também pelo Tona a integrar-me
ao GABAM - Grupo Amigos de Barra Mansa, um grupo de PX com finalidades
filantrópicas. Foi uma época muito boa, onde fiz muitos amigos, muitos DXs e
passei muitas noites pendurado no rádio, para desespero dos meus pais que não
entendiam aquele comportamento. Mas o PX foi ficando cada vez mais popular, e
essa popularização aliada à falta de fiscalização fez proliferar uma legião de “maucanudos",
gíria utilizada para designar indivíduos mau caráteres que utilizam o rádio
para fazer baderna e atrapalhar a comunicação daqueles que tentam operar de
forma ética. Isso me afastou do rádio por muito tempo e só voltei a ter contato
com um PX em 2007, quando comprei meu primeiro 4x4.
Durante seis longos anos reservei-me a utilizar um transceptor
com a finalidade exclusiva de comunicar-me durante trilhas e viagens. Não
satisfeito, em 2013 resolvi ampliar meus horizontes no radioamadorismo, quando
passei a dedicar-me também à radio escuta em ondas curtas. Fiz muitos DXs e
recebi Cartões QSL de diversas emissoras estrangeiras, até que um dia captei o
QSO de radioamadores que operavam em SSB na faixa dos 10m. Daí a veio a decisão
de retomar o hobby em outro patamar!
Minha intenção inicial era de ingressar diretamente na
Classe B, comecei então a estudar CW, mas quando apareceu a primeira oportunidade
de exame só estavam disponíveis as Classes A e C. Prestei os exames na Defesa Civil
de Angra dos Reis-RJ e poucos dias depois já estava habilitado como radioamador
Classe C!
O radiomadorismo é fascinante, pois tem inúmeras facetas e é
extremamente dinâmico, uma vez que está em constante evolução. É um hobby bastante
eclético, que acolhe desde o cidadão ávido por um simples bate-papo até o
cientista que projeta seus próprios equipamentos, mas nunca transmitiu sequer
uma palavra por voz! É por isso que não consigo largar esse vício...
Assita o filme Twister na integra pelo sistema de locação do YouTube:
http://youtu.be/V_zdf2EMETQ
Assita o filme Twister na integra pelo sistema de locação do YouTube:
http://youtu.be/V_zdf2EMETQ

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